Pesquisa testa equipamentos de radiografia industrial em uso no Brasil e revela situação de risco para operadores

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No Brasil, as aplicações industriais de radiações ionizantes “que são radiações potencialmente perigosas” são realizadas em cerca de

900 indústrias, nas quais são manuseadas em torno de 3.000 fontes radioativas. A radiografia industrial representa 14% desse total, com 217 equipamentos de Raios X cadastrados e 287 irradiadores para gamagrafia industrial, que é uma técnica similar a uma radiografia, que visa ao controle de qualidade de peças metálicas ou de estruturas de concreto.

De acordo com dados da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), quase metade de todos os acidentes relacionados com a indústria nuclear envolvem o uso de radiografias industriais.

Do total de irradiadores de gamagrafia industrial existentes no País, 90% utilizam fontes de Irídio-192, 5% de Cobalto-60 e 5% de Selênio-75, com níveis variados de atividade radioativa. Um dado preocupante é que a grande maioria dos irradiadores em uso no País está em operação há mais de 20 anos, sendo, portanto, equipamentos antigos. Todos eles são importados. Tais equipamentos são portáteis e operam de acordo com a categoria II do padrão ISO 3999, na qual classificam-se os irradiadores cuja fonte radioativa é mecanicamente projetada para fora da blindagem. Esta última característica, além do fato dos irradiadores serem antigos e desatualizados, gera preocupações quanto à segurança radiológica deles, visto que continuam a ser amplamente utilizados no Brasil. O mesmo quadro repete-se nos demais países da região latino-americana.

Diante disso, pesquisadores do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), realizaram uma pesquisa visando avaliar o grau de segurança oferecido pelos irradiadores de gamagrafia em uso no Brasil. O trabalho foi desenvolvido no IRD a partir de inspeções regulatórias nas empresas que prestam serviços de gamagrafia industrial.

Como é feita a pesquisa

O principal objetivo da pesquisa foi desenvolver uma metodologia específica para a avaliação da segurança radiológica e do estado de conservação dos irradiadores de gamagrafia industrial. A idéia fundamental foi a de prevenir acidentes, já que falhas físicas podem acarretar superexposição de membros da equipe operadora. A metodologia desenvolvida na pesquisa contribuirá para aumentar a eficiência das inspeções regulatórias realizadas pelo IRD/CNEN.

Para isso, foram estudados quase 100 irradiadores utilizados por empresas que prestam serviços de radiografia industrial em fábricas de papel e celulose, pólos petroquímicos, refinarias de petróleo, empresas metalúrgicas e outros, abrangendo os 11 modelos utilizados no País. De acordo com os resultados obtidos, quase 20% dos irradiadores estudados apresentam alguma condição insegura para operação, especialmente condições precárias de conservação e falhas no sistema de travamento da fonte radioativa.

Dos 11 modelos de irradiadores em uso no Brasil, cinco modelos não atendem a todos os requisitos de segurança exigidos pela legislação nacional em vigor, a qual se baseia na primeira edição do padrão internacional ISO 3999, de 1977. Além disso, alguns modelos de irradiadores apresentaram também o certificado de embalado de transporte vencido.
Importância da pesquisa
O principal mérito da pesquisa consistiu em revelar a situação do quadro nacional, lançando um alerta quanto às condições de segurança radiológica dos irradiadores para gamagrafia utilizados nas indústrias brasileiras.

O estudo também tem grande importância para a América Latina, uma vez que os demais países desta região utilizam também esses mesmos modelos de equipamentos, obsoletos e com segurança intrínseca muito precária.

A partir deste trabalho, e da metodologia desenvolvida para o teste dos irradiadores, foi possível apresentar recomendações técnicas à Autoridade Reguladora para que, gradativamente, as não conformidades detectadas (falhas de segurança) sejam sanadas, e seja reduzido o risco de exposição dos operadores nas áreas de trabalho.

Fonte: http://www.canalciencia.ibict.br/pesquisas/pesquisa.php?ref_pesquisa=161
Acessado em 28/04/2010

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