PRINCIPAIS ARTEFATOS DO CASSETE EM MAMOGRAFIA DIGITAL

 

É através da mamografia digital que é possível capturar uma imagem nítida das mamas, sendo possível um diagnóstico mais preciso para os pacientes. O processo de funcionamento da mamografia acontece através da transmissão de uma radiação na região das mamas, sendo esta absorvida por um detector eletrônico. Ocorre nesse momento uma diversidade de intensidades. Após o armazenamento dessas informações, tais imagens serão demonstradas por técnicas computadorizadas, que sofrerão ainda, para uma melhor interpretação por parte do paciente e dos médicos, variações de brilho, contraste e ampliação. Assim, no artigo a ser desenvolvido a seguir serão analisados os artefatos da mamografia digital, trazendo ao leitor uma maneira clara de compreender as técnicas utilizadas, bem como suas funcionalidades e aplicações.

Artefatos em Mamografia Convencional

Artefatos comumente são caracterizados por variações de densidade

Óptica, que podem ser vistas nas imagens de mamografia que não são pertinentes a imagem dos tecidos da mama. No sistema de revelação por processo químico, isto é: com a reveladora utilizando-se do revelador, fixador, lavagem e secagem, também considerando a manipulação do filme no processo de abastecimento do cassete de mamografia, exposição ao feixe de raios-x, todo esse processo poderiam surgir alterações nas imagens que prejudicassem ou até mesmo comprometessem o exame, fato esse que além de repetições desnecessárias também poderia ocasionar danos incalculáveis a paciente.

Os artefatos são considerados um grande problema, pois podem ser confundidos com patologias ou oculta-las. Desde os primórdios da mamografia em 1913 já se correlacionava os diversos tipos de câncer de mama com a presença de microcalcificações, análise feita primeiramente pelo Dr. Albert Salomon, cirurgião, quando escreveu em seus estudos que encontrava “sais salpicados” nas imagens mamográficas de mastectomias que ele realizava. Desde então vários estudos se seguiram e a presença desses “sais” que hoje sabemos serem “microcalcificações” atribuídas ao processo de crescimento e desenvolvimento de grande parte dos tumores malignos. Também por esse motivo a presença de alguns artefatos podem ser confundidos com uma suspeita patológica e levando então essa imagem a sugerir um falso diagnóstico tendo como prejuízo até mesmo biopsias desnecessárias. Variados estudos foram realizados e concluiu-se que as principais causas, originarias dos artefatos na imagem de mamografia estão correlacionadas ao manuseio incorreto do filme, sujeira na reveladora ou dentro do cassete, contaminação dos químicos.

1.1

 

 

 

 

 

 

 

Dimenstein, Renato Guia Prático de Artefatos em Mamografia:

Há também artefatos causados pelo inadequado preparo e orientação da paciente, dentre esses podemos destacar desde o uso de desodorantes, pomadas, talcos bem como o uso de adornos, colares, brincos longos, óculos dentre outros. Quanto a esses artefatos não convém nos aprofundar no presente estudo.

2.2

 

 

 

 

 

 

 

 

Dimenstein, Renato Guia Prático de Artefatos em Mamografia:

 

Artefatos em Mamografia Digital

No sistema de imagem digital a diversidade de artefatos foram minimizados, isso se deve pelo fato de já não mais ser necessário passar pelo processo de revelação e manuseio do filme e cassete com a mesma intensidade, ou seja, o profissional técnico tem menos contato manual com o “filme” no caso, nesse sistema, “com a película” flexível de fósforo fotoestimulável de cristais de Bário (contendo íons Europium – IP image plate). O processo de revelação é realizado, a imagem digital é processada e aparece na tela do monitor para então, serem analisadas, arquivadas, transferidas ou impressas, todos esses processos digitais livres do manuseio direto ou contato físico.

Com esse novo sistema o cassete então é abastecido com uma placa de fósforo chamada de IP que é capaz de ser processada no processo de revelação a seco cerca até 2.000 a 6000 mil vezes de acordo com o fabricante (Fonte: NDT- Fuji);

O aparelho permanece o mesmo, também o sistema de aquisição da imagem quanto as técnicas de exposições são consideravelmente as mesmas, somente o cassete que tem um novo perfil externamente e internamente a película de fósforo (IP) que pode sofrer várias exposições. As etapas então passam a ser mais simplificadas e com menos manuseio da película uma vez que essa é introduzida apenas na reveladora a seco no sistema Computer Digital e após sua leitura a imagem é apresentada na tela do computador, a película de fósforo (IP) é então limpa e recolocada dentro do cassete estando pronta para uma nova exposição e aquisição da imagem. Os passos para a leitura da imagem latente desse sistema são:

1º Passo – A processadora ou unidade leitora retira o IP de dentro do cassete;

2º Passo – Realiza uma varredura por laser;

3º Passo – O laser estimula o fósforo a emitir luz;

4º Passo – Os fótons de luz são multiplicados e convertidos em sinais digitais;

5º Passo – Os bits são transferidos á workstation e processados para formar a imagem;

6º Passo – A informação da placa é apagada por lâmpadas especiais;

7º Passo – Finalmente a placa é guardada e está pronta para uma nova exposição.

Os principais artefatos nesse sistema ocorrem nessa película de IP e os motivos são variados dentre eles a vida útil dessa película, artefatos provocados por ranhuras no processo de revelação digital ou até mesmo durante o manuseio dessas para limpeza, processo esse que deve ser realizado habitualmente conforme movimento de rotina de trabalho da clínica.

3.3

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagem gentilmente cedida por Ghelfond Diagnósticos.

4.4

 

 

 

 

 

 

 

Imagem gentilmente cedida por Ghelfond Diagnósticos.

Os artefatos demonstrados acima são relacionados ao excesso de uso do IP, ou seja, múltiplas exposições, essas placas tem uma vida útil dependendo da quantidade de exposição e processo de revelação bem como cuidado de higienização e limpeza dessas mesmas placas.

Os artefatos também podem ser provocados pelos acessórios de aquisição de imagem mamográfica, um exemplo são os Spots que são utilizados nas incidências complementares em mamografia, como por exemplo: as compressões seletivas e magnificações.

5.5

 

 

 

 

 

 

 

Imagem gentilmente cedida por Ghelfond Diagnósticos.

Artefatos provocados nas placas de IP em decorrência do processo de revelação, e que por ventura tenham sido danificadas provavelmente terão de ser inutilizados por apresentar ranhuras irreparáveis na imagem mamográfica. No caso demonstrado na figura 6 o cassete ficou enganchado após o processo de revelação na região inferior da processadora, tornando essa digna de inutilização.

 

6.6

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagem gentilmente cedida por Ghelfond Diagnósticos.

Considera-se artefatos que estão alheio ao técnico quando não podem ser removidos, são eles: marcapassos, portocaths, projétis por arma de fogo dentre outros, para esses pacientes recomenda-se cautela quanto aos parâmetros técnicos que regem o posicionamento e anotações extras na anamnese do mesmo. Sabe-se que esses acessórios prejudicam a imagem final, porém de modo algum deve ser recusado o exame a esse paciente.

 

7.7

 

 

 

 

 

 

 

Imagem gentilmente cedida por Ghelfond Diagnósticos.

Conhecimento Sobre Artefatos Em Mamografia Digital

              Todo o conhecimento que temos atualmente sobre artefatos vem da experiência do sistema analógico e convencional de abastecimento dos cassetes, manuseio destes bem como suas películas de filmes, processo de revelação e secagem e consideravelmente pode se dizer ainda sobre a sistemática de arquivamento dessas imagens mamográficas, pois até neste momento se não estiver dentro de parâmetros técnicos quanto a temperatura e umidade do ambiente, pode ocasionar artefatos pós-processamento.

Aproveitando essa experiência do sistema convencional, aperfeiçou-se no sistema digital, onde podemos dizer que o compromisso com a imagem foi que amplamente difundido e com refinamento aproveitado nos setores de mamografia, a fim de melhorar cada vez mais a imagem, tornando-a livre de artefatos e possibilitando dessa maneira um laudo mais idôneo, preciso e confiável, mantendo assim a qualidade da imagem mamográfica em seus padrões de sensibilidade e especificidade.

Materiais e Métodos

Para a elaboração deste trabalho foi necessária a observância e análise de cada imagem mamográfica, de cada placa de IP, das condições dos cassetes, processadoras, mamógrafos e acessórios de magnificação e compressão seletiva de três grandes centros especializados em mamografia onde se realizam diariamente cerca de 80 a 100 mamografias.

Uma contextualização direta entre o IP e a imagem adquirida pós processamento digital foi relacionada imediatamente afim de buscar o verdadeiro culpado pela presença do artefato sugerido em cada imagem. Conforma foi correlacionado e demonstrado nos exemplos acima.

Discussão

Quando se compara a quantidade de artefatos que o sistema

por revelação convencional apresentava com as imagens atuais no sistema CR (Computer Radiography) nota-se um ganho imensurável desde que sejam respeitados os pré-requisitos e cuidados do fabricante. Foi possível identificar    muitos e diversos tipos de artefatos no estudo apresentado e formas de soluciona-los.

No que diz respeito aos artefatos da imagem digital ainda há poucos estudos relacionados, talvez pelo motivo de não se apresentarem com frequência quando comparados ao sistema anterior. Os poucos estudos podem ser devido ao fato de que ainda a imagem digital em mamografia é consideravelmente jovem e por não ser usada em todos os locais como clínicas, laboratórios e hospitais, fato esse que pode ser atribuído ao seu custo de investimento inicial.

  Conclusão

De acordo com a problemática descrita no presente trabalho foi possível observar que as placas de fósforo (IP) apresentam deficiências quando não são cumpridos os pré-requisitos e recomendações de uso do fabricante como o respeito da vida útil desses. Como as múltiplas e excessivas exposições deixam as placas com a presença de artefatos, sendo necessário sua troca, levando em consideração o volume de pacientes atendidos diariamente e o tempo de uso. Os cuidados quanto á higiene correta dos cassetes e sua limpeza diária ou semanal é outro fator que requer muita atenção. Cassetes são sensíveis e não podem sofrer grandes impactos como quedas e serem incorretamente dispostos de qualquer forma sem esmero e cuidado.

 

Autor do Artigo: Prof. Elisangela Senra Mendes –  Técnica Em Radiologia Médica – Universidade São Camilo/2000. Tecnóloga em Radiologia –  Universidade Nove de Julho/2008. Pós Graduada em Imagenologia – Universidade Nove de Julho/2010.  Pós Graduada em Mamografia e Controle de Qualidade/2017.  Docente – Universidade Braz Cubas e Faculdade Finaci – SP

 

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